sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Degustando Pablo Neruda



É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro


Pablo Neruda
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Amor em estado de essencia, amor em estado de falta de discernimento de uma realidade, até pq para esse amor a realidade não é necessária.. há apenas a aceitação.. assim como aceita que a luz é luz não interessa da onde vem apenas interessa que ela ilumina... a noite é noite, e o amor transcendente e apenas rebate por todos os arredores dentre os dois.. a fonte da inspiração, a não rotina, o movimento da agua visto nos olhos e cabelos da mulher simbolo da maestria, a curiosidade pelo oposto não deixando jamais cair a paixão por terra, fazendo o tesão ser o pilar da paixão que é o concreto do amor infantil entre um homem e uma mulher. A certeza do amor eterno naquele dia, talvez no dia seguinte também, porém naquele dia de amor eles se alimentam e lhes servem como travesseiro e cobertor. A realidade não transpassa a cupula formada por sentidos extremados da admiração, dedicação e amor gerado na direção do ser objeto amado. Incontestavel beleza, insuperável franqueza é de causar suspiros aos que amam, amaram ou ainda aos que como eu amem incondicionalmente todos os dias até que não exista mais oque amar.

Bárbara A. Ferlin

Alma do Cancioneiro




Cancioneiro

Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!


Fernando Pessoa

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Melhor vomito não há
Com poucas, curta e rudes palavras foi passado o papel de todo o escritor
palhaço, amante, pai, padre, boi regurgitante
Como num automatico as palavras apenas saem, sem muitos pensamentos, elas se fundem com o sangue e vão sendo jogadas uma a uma e como uma cola a sensibilidade vai fazendo a poesia, colando delicadamente cada uma com teu "par", é formado a canção, na inércia dos pensamentos, com o sangue correndo e as narinas no entra e sai do ar, as emoções talvez por ja serem naturalmente extremadas mantem-se constantes. Emocionar-se fica para o outro lado do papel, mudar a respiração ou taquicardia que trate o médico de quem lê. O centro do escritor é a falta de centro, é a anarquia sólida e metódica de teus pensamentos e sensações, essas o normal é o descentro de muitos. E assim se segue, uns escrevem outros leêm, e muitos ainda graças a Deus transleêm


Bárbara A. Ferlin