sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Alma do Cancioneiro




Cancioneiro

Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!


Fernando Pessoa

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Melhor vomito não há
Com poucas, curta e rudes palavras foi passado o papel de todo o escritor
palhaço, amante, pai, padre, boi regurgitante
Como num automatico as palavras apenas saem, sem muitos pensamentos, elas se fundem com o sangue e vão sendo jogadas uma a uma e como uma cola a sensibilidade vai fazendo a poesia, colando delicadamente cada uma com teu "par", é formado a canção, na inércia dos pensamentos, com o sangue correndo e as narinas no entra e sai do ar, as emoções talvez por ja serem naturalmente extremadas mantem-se constantes. Emocionar-se fica para o outro lado do papel, mudar a respiração ou taquicardia que trate o médico de quem lê. O centro do escritor é a falta de centro, é a anarquia sólida e metódica de teus pensamentos e sensações, essas o normal é o descentro de muitos. E assim se segue, uns escrevem outros leêm, e muitos ainda graças a Deus transleêm


Bárbara A. Ferlin

2 comentários:

Unknown disse...

Agradeço muito por esta contribuição cultural! Sem palavras...

Unknown disse...

Gostei deste trecho!

Jah te disse q vc tem um dom ai pra escrever neh?

Bjao!